O concreto polido é um piso cujo atrito depende da granulometria final do polimento. Na medição do Grupo SPP, de #120 a #800, o atrito caiu a cada etapa do processo, seco e molhado. Por isso a resposta para "piso polido escorrega?" não é sim nem não: depende de até onde o polimento foi e de como a área é usada.

Aqui você vê o que é o coeficiente de atrito, por que o polimento muda esse número, o que a SPP mediu, como ler a tabela e o que ela não permite concluir.

O que é o coeficiente de atrito

O coeficiente de atrito é um número sem unidade que relaciona a força de atrito à força que comprime uma superfície contra a outra. Em geral, fica entre 0 e 1,0, e o valor depende das duas superfícies em contato. Quanto maior o número, mais a superfície resiste ao deslizamento.

Como depende das duas superfícies, o número não é uma propriedade isolada do piso. Ele descreve aquele piso, naquela condição, medido daquele jeito.

Por que o polimento muda o atrito

O concreto polido conserva microporos que aumentam o atrito. O polimento fecha os poros à medida que a granulometria fica mais fina. O número depois do "#" indica essa granulometria: quanto maior, mais fino o polimento.

A textura pesa porque o piso molhado depende dela. A autoridade britânica de saúde e segurança no trabalho (HSE) usa uma comparação simples: a textura fina de uma lixa impede o escorregão no molhado, e a superfície lisa de uma folha de papel escorrega.

O revestimento epóxi funciona de outro modo. Ele sela totalmente a superfície e não tem essa porosidade. Para ficar antiderrapante, recebe aspersão de quartzo.

O que a SPP mediu

A SPP mediu com o American Slip Meter (ASM 825A) o concreto polido pelo sistema Super Piso, por granulometria final, e um revestimento epóxi liso, sem aspersão de quartzo, no mesmo ensaio. Os valores abaixo são o coeficiente de atrito medido com o American Slip Meter.

Acabamento Seco Molhado
Super Piso #120, liga metálica 0,96 0,89
Super Piso #100, liga resinada, após densificação 0,91 0,82
Super Piso #200 0,89 0,76
Super Piso #400 0,74 0,61
Super Piso #800 0,69 0,53
Super Piso #1500 0,55 0,67
Epóxi liso 0,59 0,73

A tabela segue a ordem do processo, não a do número. Por isso o #100 vem depois do #120: ele foi medido com liga resinada, após a densificação, e o #120, com liga metálica. Isso explica por que um grão mais grosso mediu menos atrito: a liga e a densificação pesam, não só o número.

Os resultados foram compatibilizados, na época, com a medição de um laboratório independente contratado pelo cliente da obra.

Como ler os números

O limite do aparelho

O American Slip Meter é arrastado pelo piso. A HSE recomenda esse tipo de teste só para piso limpo e seco e alerta que, em piso molhado, ele pode dar informação enganosa. Por isso a coluna molhada vale como registro do ensaio, não como prova de segurança. Vale ler as comparações abaixo com essa ressalva.

Etapa por etapa

Na ordem da tabela, de #120 a #800, o atrito cai a cada etapa, seco e molhado: de 0,96 para 0,69 no seco e de 0,89 para 0,53 no molhado. Essa regra para em #800. Em #1500, o valor seco continua caindo, para 0,55, mas o molhado sobe para 0,67.

Seco e molhado

De #120 a #800, o valor molhado ficou abaixo do seco, com diferença de 0,07 em #120, 0,09 em #100, 0,13 em #200 e em #400 e 0,16 em #800. Em #1500 e no epóxi liso, foi o contrário: o molhado mediu mais do que o seco.

Isso não quer dizer que esses pisos fiquem mais seguros molhados. O número registra o que o aparelho leu naquela condição, e, pelo limite do método, essa conclusão não se sustenta.

Polido e epóxi liso

No piso molhado, o polido mediu acima do epóxi liso até #200 (0,76 contra 0,73) e abaixo a partir de #400. No seco, mediu acima dele até #800 (0,69 contra 0,59) e abaixo em #1500 (0,55).

Por isso, a pergunta "qual escorrega menos" não tem resposta geral: depende do acabamento e da condição. A comparação vale só para o epóxi liso, e a parte molhada é registro do ensaio. O epóxi com quartzo não foi medido, então não há número para comparar com ele.

O que esses números não dizem

  • Não são prova de segurança no piso molhado. A coluna molhada é registro do ensaio.
  • Não são um valor para outro aparelho. Cada instrumento tem seu método, e um número só se compara com outro medido do mesmo jeito.
  • Não dizem nada sobre dureza nem sobre resistência do concreto. Atrito é outra grandeza.
  • Não dizem que o acabamento mais grosso é sempre o certo. A escolha pesa também o resultado que o piso precisa entregar.
  • Não valem para outro revestimento. A tabela cobre o concreto polido pelo Super Piso e o epóxi liso desse ensaio.

Como a granulometria final se escolhe

A granulometria final se escolhe pela segurança que o uso exige. O ponto de parada do polimento é definido por três leituras: brilho medido, coeficiente de atrito e estética. Antes de definir o acabamento, vale responder:

  • A área molha? Com que frequência?
  • Quem circula ali, pessoas, veículos ou os dois?
  • Há alguma exigência de brilho ou estética para a área?

Brilho e segurança precisam ser decididos juntos. Não existe grão final padrão por faixa do Super Piso: ele depende da resposta de cada piso, e a granulometria entra na proposta técnica como balizador.

Polido e epóxi

Para ver como cada ensaio se lê, veja o que cada ensaio de piso mede, e o que não mede. Para ver acabamentos e obras, acesse a página de lapidação e polimento diamantado.