A escala de Mohs é uma escala de dez minerais que ordena a dureza ao risco, ou seja, a resistência de um material a ser riscado. Ela não mede desgaste. Quando aparece num argumento sobre piso de concreto, o primeiro cuidado é separar as duas coisas, e é assim que o Grupo SPP trata o assunto.

Aqui você vê de onde vem a escala, como ela funciona, por que seus números não se somam nem se comparam em proporção, por que risco não é desgaste e o que perguntar quando ela aparecer numa proposta.

De onde vem a escala

A escala leva o nome do mineralogista F. Mohs e usa dez minerais de referência. A ideia é prática: testar um mineral riscando-o contra um material de dureza conhecida, por isso ela é tão útil para identificar minerais em campo.

Como ela funciona

Os dez minerais, do mais mole ao mais duro, são talco, gipsita, calcita, fluorita, apatita, ortoclásio, quartzo, topázio, coríndon e diamante. Um mineral risca os que vêm antes dele e não risca os que vêm depois: o topázio risca o quartzo, e o contrário não acontece.

O que o número diz, e o que não diz

O número da escala indica só a posição na ordem. O NIST, instituto americano de metrologia, usa a escala de Mohs como exemplo de propriedade ordinal: os números servem apenas para indicar a ordem e não são adequados para operações aritméticas.

A escala também não é linear. Segundo a Open University, a diferença entre as posições não é igual, e o diamante é cerca de quatro vezes mais duro do que o coríndon, embora estejam em posições vizinhas.

Pergunta A escala responde? Por quê
Este material risca aquele? Sim É para isso que ela existe
Qual dos dois é mais duro ao risco? Sim Ela dá a ordem
Quantas vezes um é mais duro? Não Os números indicam só a ordem
Quanto o piso vai desgastar com o uso? Não Ela não mede perda de material

Por que risco não é desgaste

Risco é uma pergunta de um instante: um material marca o outro ou não. Desgaste é um processo. Uma tese de doutorado da UFRGS sobre concretos para pisos descreve o desgaste superficial por abrasão como uma manifestação patológica causada pelo atrito de partículas secas, que provoca a perda progressiva das camadas mais externas.

A perda progressiva depende do uso ao longo do tempo. Um teste de risco não reproduz esse uso.

O que isso muda para quem compra piso

Desconfie de uma frase que usa a escala de Mohs como resistência à abrasão ou como previsão de vida útil. A escala não tem essa resposta.

A SPP não usa a escala de Mohs como medida de desgaste e não cita valor de Mohs para seus pisos. Também não há ensaio de desgaste da SPP publicado: a empresa publica só o que mediu, como planicidade, nivelamento, atrito e resistência do concreto.

O que perguntar quando a escala aparecer

  • O número é de quê? De um mineral, de um agregado ou do piso acabado?
  • Quem mediu, e como? Um valor sem método não pode ser conferido.
  • A frase fala de risco ou de desgaste? São assuntos diferentes.
  • Há ensaio de desgaste? Se o assunto é desgaste, é esse ensaio que precisa aparecer.

Para ver os outros ensaios, leia o que cada ensaio de piso mede, e o que não mede. Para entender o que o seu piso precisa, veja a página de diagnóstico.