O esclerômetro de reflexão é um aparelho que avalia a dureza superficial do concreto, e sua leitura não é a resistência à compressão. A norma brasileira do ensaio se chama "Avaliação da dureza superficial pelo esclerômetro de reflexão" e diz no escopo que o método não é alternativa à determinação da resistência à compressão em corpo de prova.

As duas medições são legítimas e medem coisas diferentes. Aqui você vê como o ensaio funciona, o que interfere na leitura, por que o assunto pesa no piso polido e como o Grupo SPP usa esse dado.

Como o ensaio funciona

Um martelo padrão choca-se com a superfície do concreto, e o aparelho devolve uma leitura chamada índice esclerométrico. Como o ensaio é feito na superfície e no local, ele é rápido e não exige retirar amostra.

O que interfere na leitura

A leitura responde ao que está na superfície e ao redor do ponto ensaiado. A literatura técnica lista estes fatores:

Fator Exemplo do que observar
Superfície Rugosidade e carbonatação
Peça ensaiada Tamanho, formato e rigidez
Concreto Composição, tipo e tamanho dos agregados, tipo de cimento
Tempo Idade da estrutura
Operador Pressão uniforme na aplicação do aparelho

Dois desses efeitos têm direção conhecida: a carbonatação tende a elevar o índice, e a umidade da superfície tende a reduzi-lo, como mostram trabalhos da UFC e da UFU.

Por isso a leitura pede método e mão de obra qualificada. Um estudo publicado em 2024 na revista Matéria, com 60 corpos de prova de um único traço, também observou que pequenas mudanças na leitura média produzem grandes mudanças na resistência estimada pelo modelo usado.

Por que ele não substitui o corpo de prova

Ponto Esclerômetro Corpo de prova
O que avalia Dureza superficial Resistência do concreto
Onde se faz No local, na superfície Em laboratório de controle tecnológico, com prensa aferida
Referência ABNT NBR 7584 ABNT NBR 5739
Papel Ensaio complementar Determinação da resistência à compressão

Curvas de correlação tentam estimar a resistência a partir do índice esclerométrico. Mesmo assim, a literatura recomenda tratar a esclerometria como método adicional ou ensaio complementar, e não como substituto do ensaio de compressão.

Por que isso pesa no piso polido

O polimento trabalha a superfície, e o esclerômetro lê a superfície. Uma leitura maior depois do polimento diz que a superfície mudou. Ela não diz que o concreto ficou mais resistente à compressão, porque a resistência do concreto é a medida em corpo de prova.

Desconfie de qualquer tabela que apresente a leitura do esclerômetro como ganho de resistência depois de um tratamento de superfície. Isso mistura duas grandezas.

Como a SPP usa o esclerômetro

A SPP avalia a dureza superficial com esclerômetro, no local, pela ABNT NBR 7584, e não apresenta essa leitura como resistência do concreto. Quando a pergunta é resistência, a SPP usa rompimento de corpos de prova em laboratório de controle tecnológico, com prensa aferida. A SPP não tem resultado de dureza superficial publicado.

O que perguntar quando receber uma leitura

  • Qual norma foi usada? A referência brasileira é a ABNT NBR 7584.
  • O que a leitura está sendo usada para dizer? Dureza superficial, não resistência à compressão.
  • Há corpo de prova? Para falar de resistência do concreto, é ele que responde.
  • A superfície é a mesma? Rugosidade e carbonatação estão entre os fatores que afetam o resultado.

Para ver os outros ensaios, leia o que cada ensaio de piso mede, e o que não mede. Para entender o que o seu piso precisa, veja a página de diagnóstico.