Uma ficha técnica de piso se lê de trás para a frente: primeiro as condições que a base e o ambiente precisam ter, depois os números. O número mais bonito não vale se a sua obra não atende a essas condições. Para o Grupo SPP, a ficha ajuda a comparar sistemas, e a decisão continua no diagnóstico.
O que cada parte diz
| Parte | O que responde | O que conferir |
|---|---|---|
| Descrição | Que tipo de sistema é | Resina, forma e número de componentes |
| Indicações | Onde o fabricante o recomenda | Se o seu uso aparece ali |
| Propriedades | Como ele se comportou em ensaio | Método, idade e condição do ensaio |
| Metodologia de aplicação | O que a obra precisa ter | Base, umidade, temperatura e preparo |
| Recomendações | O que pode dar errado | Limites, como UV e tempo de cura |
| Consumo | Quanto material a espessura pede | Se a proposta bate com o consumo teórico |
Como ler um resultado de ensaio
Veja de onde vem o número
As fichas consultadas avisam que os resultados vêm de laboratório, em condições controladas ou ideais, e parte delas diz que é o valor máximo alcançado. Isso não é defeito da ficha: é o limite da informação. O desempenho na obra depende da base, do preparo, da aplicação e do ambiente.
Confira o método
Ao lado de cada propriedade, a ficha indica o método. Ele pode ser uma norma pública ou um método interno do fabricante, com sigla própria. Número de método interno não se compara com número de outro fabricante.
Há também o uso por analogia: uma ficha informa que aplicou à resina um método de ensaio de outro material. O resultado continua útil, mas a comparação pede cuidado.
Confira a idade e a temperatura
O mesmo sistema mede diferente em idades diferentes. As fichas costumam informar as propriedades a 25 °C, e as consultadas trazem ensaios a 7 ou 28 dias. Compare só o que foi medido do mesmo jeito.
O que cada ensaio mede
| Propriedade | Referência citada nas fichas | O que ela responde |
|---|---|---|
| Desgaste por abrasão, Amsler | ABNT NBR 12042 | Quanto material o atrito tira, em espessura |
| Desgaste por abrasão, Taber | ASTM D4060 | Quanto material o atrito tira, em massa |
| Aderência por tração | ABNT NBR 13528 | Com que força o revestimento se solta. É norma de revestimento de argamassa em parede, usada nas fichas como referência |
| Compressão | ASTM C579 | Quanto o material suporta ao ser comprimido |
| Tração na flexão | ASTM C580 | Quanto ele suporta ao ser dobrado |
| Impacto | ASTM D2794 | Como ele reage a uma queda de peso |
Cada ensaio responde a uma pergunta. Amsler e Taber medem desgaste por caminhos diferentes, então um número não se converte no outro. Coeficiente de atrito também depende do aparelho e da condição do piso: veja piso polido escorrega?.
Os prazos
A ficha separa três momentos: liberação para tráfego leve, liberação para tráfego pesado e cura final. Nas fichas consultadas, a cura final costuma ser de 7 dias, e a resistência química só vale depois dela. Temperatura baixa alonga esses prazos.
Liberar o piso não é o mesmo que ele estar pronto para produto químico. Na lavagem da área, isso muda a rotina das primeiras semanas.
A tabela química
Algumas fichas trazem uma lista de agentes, com concentração e tempo de imersão, e três respostas: resiste, mancha ou agride. Duas leituras importam:
- Procure o seu produto, na sua concentração. O mesmo ácido pode ter respostas diferentes em concentrações diferentes.
- Olhe o tempo. Resistir a um contato curto não é resistir a sete dias de imersão.
O que perguntar antes de aceitar a ficha
- A base atende às condições da ficha? Sem isso, o número não se aplica.
- O consumo da proposta bate com o teórico? Consumo baixo pode trazer defeito de acabamento.
- Há placa de teste? As fichas consultadas aconselham aprovar uma antes da aplicação.
- O método é público ou interno? A resposta muda a comparação.
As condições da base estão em preparo da base antes do revestimento, e a escolha entre as resinas, em epóxi, PU ou uretano. Para comparar propostas para o seu piso, peça o diagnóstico gratuito.